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F1: BRASILEIROS DE VOLTA EM DOIS OU TRÊS ANOS, ANALISA REGINALDO LEME

“O talento de nossos pilotos continua em pé”


Os testes da atual temporada da Fórmula 1, realizados em Barcelona, foram acompanhados com atenção por quem curte a categoria. As equipes simularam condições de corrida, analisaram pacotes aerodinâmicos e os compostos de pneus. Mas surgem poucas pistas, além do já conhecido domínio da Mercedes-Benz.


“A boa novidade é que a Red Bull se mostrou no mesmo nível de Mercedes e Ferrari. Mesmo assim, todo mundo sabe que esses testes nunca são conclusivos porque cada equipe manda para a pista o carro em diferentes configurações. Isso possibilita os chamados ‘blefes’.” A declaração é de Reginaldo Leme, um dos maiores entendedores do automobilismo no Brasil e no mundo.


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O novo Aston Martin Red Bull junta-se a Mercedes-Benz e Ferrari como favoritos de 2018


Opinião de respeito


A coluna conversou com o jornalista que acompanha a categoria desde 1972. Num tempo de internet em que os furos jornalísticos são raros, partiu dele a principal notícia automobilística dos últimos tempos. Foi Reginaldo que revelou, em 2009, que Nelsinho Piquet (filho do tricampeão mundial Nelson Piquet) foi pressionado por Flavio Briatore, na época na Renault, a bater o carro de propósito para beneficiar Fernando Alonso.


Aliás, Alonso ainda é um dos principais nomes do esporte, mas enfrenta um calvário. “A decepção tem sido a McLaren, que desde a troca do motor Honda pelo Renault, dava pinta de estar a caminho de uma recuperação. Não foi o que se viu até agora, embora eu ainda acredite na McLaren no decorrer do ano”, analisa Reginaldo.


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Fernando Alonso, aos 34 anos, realizou testes em Barcelona e promete uma boa temporada com o novo McLaren

 

Nova era de brasileiros


Pela primeira vez desde 1970, a temporada da Fórmula 1 irá começar sem um brasileiro no grid, no dia 25 de março no GP da Austrália. A falta de ídolos tem feito o interesse do grande público pelo automobilismo diminuir no país. Reginaldo culpa o desaparecimento de categorias de base, mas mantém o otimismo. “Não é o fim do mundo porque países tradicionais como Itália e França já passaram anos sem ter um representante. Mas a falta de uma categoria de monoposto para o garoto se preparar sem deixar o Brasil fez com que kartistas que se destacaram por aqui deixassem o país mais cedo do que o normal para se aventurar no automobilismo europeu.”



O comentarista traçou um  perfil muito interessante da próxima geração de brasileiros. “Nós poderemos ver pilotos novos chegando à F1 em dois ou três anos. Quem está mais perto é o mineiro Sergio Sette Camara, que já corre este ano na Fórmula-2, o último degrau.”


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O mineiro Sérgio Sette Camara, vai bem Fórmula 2, deve ser o novo brasileiro na F1 em dois anos


Outros nomes que também estão na fila e que têm sobrenomes fortes são Pietro Fittipaldi, neto de Emerson Fittipaldi, e Pedro Piquet, filho de Nelson Piquet. Reginaldo acompanha de perto a base do automobilismo. “Dois dos kartistas que já participaram de Mundiais estão pulando este ano para a Fórmula-4: Caio Collet e Gianluca Petecov.”


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Caio Collet, do kartismo para a Fórmula 4, surge com um nome da nova geração brasileira


20 anos de domínio brasileiro


Ao falar das novas gerações, é impossível deixar de mencionar quem abriu as portas e ajudou criar essa tradição brasileira. Citando um grande momento na história da F1, Reginaldo Leme foi enfático: “O grande fato histórico, ainda remetendo à atual falta de um piloto brasileiro, é a lembrança de que nós exercemos um domínio durante 20 anos, de 1972 a 1991, período em que Emerson, Piquet e Senna conquistaram 8 títulos mundiais. E, na sequência, Barrichello e Massa chegaram mais três vezes ao vice-campeonato e contribuíram para o nosso grande número de vitórias na F1: 101. Esse número só é superado pela Alemanha de Schumacher e a Inglaterra, berço do automobilismo mundial.”


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Emerson Fittipaldi, com sua McLaren número 5, iniciou o a saga dos brasileiros na Fórmula 1


Confira todas as respostas e análises de Reginaldo Leme.


Qual a sua visão pela falta de brasileiros na temporada de 2018 da F1?

Pela falta de uma categoria de base no Brasil, isso teria que acontecer um dia. Já era pra ter sido assim em 2017, mas o Massa resolveu aceitar um convite da Williams para voltar depois que o abandono do campeão Rosberg causou uma reviravolta na formação de algumas equipes, abrindo na Williams a vaga que era de Bottas.


Não é o fim do mundo porque países tradicionais como Itália e França já passaram anos sem ter um representante. Mas a falta de uma categoria de monoposto para o garoto se preparar sem deixar o Brasil fez com que kartistas que se destacaram por aqui deixassem o país mais cedo do que o normal para se aventurar no automobilismo europeu. O talento de nossos pilotos continua em pé, mas essa necessidade de ir para a Europa prematuramente retardou o surgimento de novos representantes. Por isso o vácuo deve durar um pouco mais. Mas em breve nossos pilotos alcançarão a F1.   


http://carros.ig.com.br/colunas/carros-do-celio/2018-03-09/formula-1.html


Há alguma probabilidade de ter algum nome ou revelação ainda este ano ou nas próximas temporadas?

Nós poderemos ver pilotos novos chegando à F1 em dois ou três anos. Quem está mais perto é o mineiro Sergio Sette Camara, que já corre este ano na Fórmula-2, o último degrau. Ele vai ter um duelo muito duro com o companheiro Lando Norris, que já é piloto reserva da McLaren e, mais do que isso, é o inglês da vez. Sendo preparado pela McLaren há alguns anos, como aconteceu com Lewis Hamilton, Norris é a aposta inglesa e os dois correrão juntos numa equipe inglesa. Porém, como Sette Camara não conta com todo esse respaldo, ele não tem a obrigação de andar à frente do companheiro. Isso deve aliviar a pressão sobre ele. Mas terá que andar próximo e, se possível, algumas vezes, superar Norris.


Na sequência, temos outros que podem chegar. Pietro Fittipaldi optou esse ano por correr na Indy, aconselhado pelo seu patrocinador, o poderoso mexicano Carlos Slim, mas a meta continua sendo destacar-se pelos Estados Unidos para chamar a atenção da F1. Outro que optou por esse mesmo caminho foi Matheus Leist, que já tem título no automobilismo europeu, mas resolveu aproveitar a ótima chance que apareceu na Indy depois de um teste em que ele foi muito bem sucedido.

Mais abaixo em tempo de carreira, vêm se destacando Felipe Drugovich, vencedor de corridas na F4 em 2017, e Pedro Piquet, que leva a experiência de dois anos na Euro Formula 3 para disputar esse ano a GP3. Um ano bem sucedido pode levá-lo direto para a Fórmula 2.


O talento brasileiro já está chamando a atenção também desde o kart. Dois dos kartistas que já participaram de Mundiais estão pulando este ano para a Fórmula-4: Caio Collet e Gianluca Petecov. Os primeiros passos dele na F4 foram muito bons e, recentemente, Collet tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o concurso Piloto Winfield, realizado há 43 anos na  França. Por esse concurso, com a participação de 100 concorrentes do mundo todo, já passaram 20 pilotos que alcançaram a F1, inclusive Alain Prost e Damon Hill.        

Na sua opinião quais equipes são as favoritas em 2018?

Os primeiros testes da pré-temporada nesta semana foram prejudicados por uma nevasca absolutamente anormal em Barcelona nessa época do ano. No pouco que conseguiram andar, a boa novidade é que a Red Bull se mostrou no mesmo nível de Mercedes e Ferrari. Mesmo assim, todo mundo sabe que esses testes nunca são conclusivos porque cada equipe manda para a pista o carro em diferentes configurações. Isso possibilita os chamados “ blefes”. E, terminados os testes, todos os analistas falam das equipes grandes que “esconderam o jogo”. 

A decepção tem sido a McLaren, que desde a troca do motor Honda pelo Renault, dava pinta de estar a caminho de uma recuperação. Não foi o que se viu até agora, embora eu ainda acredite na McLaren no decorrer do ano.  

Você pode citar algum fato curioso ou histórico  da F.1? Presente ou passado?

O grande fato histórico, ainda remetendo à atual falta de um piloto brasileiro, é a lembrança de que nós exercemos um domínio durante 20 anos, de 1972  1991, período em que Emerson, Piquet e Senna conquistaram 8 títulos mundiais. E, na sequência, Barrichello e Massa chegaram mais três vezes ao vice-campeonato e contribuíram para o nosso grande número de vitórias na F1: 101. Esse número só é superado pela Alemanha de Schumacher e a Inglaterra, berço do automobilismo mundial. 



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